Blog du Gui

O que você acha? o que você sabe?

Julho 22, 2007 · Deixe um comentário

megaphone

O problema, todo ele, é que você não sabe. Você não sabe nada, ou sabe muito pouco, o que é sempre insuficiente. Mesmo assim você acha.

Você acha que o governo é ruim, ou acha que ele é bom, porque leu em algum lugar, porque ouviu falar, porque um amigo seu lhe disse. Você acha que está ganhando pouco ou acha que está sendo explorado, porque há cada vez mais mês no fim do salário. Você acha que aquele sujeito não presta. Você acha que os católicos são cabeças-duras. Você acha que a culpa é da zelite. Você acha que os EUA querem dominar o mundo. Você acha um monte de coisas, mas não sabe.

Você pode estar certo em algumas destas opiniões, mas a validade de sua opinião é uma coincidência fortuita e você também não sabe disso. Você acha que sua opinião é importante e que ela tem valor como testemunho objetivo da realidade, mas você não sabe nem mesmo que não sabe.

E — o horror — você não sabe a diferença entre achar e saber.

A realidade, para você, é o trajeto de sua casa para o trabalho, jornais e revistas, o noticiário na TV, a previsão do tempo para amanhã, planos embolorados, o cesto de roupas sujas e o preço do sabão em pó — e você continua achando.

Quem realmente sabe de algo tem uma certa vergonha higiênica de ter opiniões. Ter uma opinião significa pisar no lodaçal de conjecturas em que as gentes se acostumaram a viver. É sempre melhor não as ter. E viver limpo.

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Esfriamento Mental

Julho 20, 2007 · 2 Comentários

al gore

Tenho observado que alguns estudantes têm chegado até alguns de meus escritos com o objetivo de encontrar material para seus trabalhos escolares a respeito do aquecimento global. O assunto tem freqüentado um pouco menos os noticiários ultimamente; a febre apocalíptica parece ter diminuído. Em compensação, as escolas entraram definitivamente na era do aquecimento global. Receio que seja um caminho sem volta.

Eu me lembro dos trabalhos que fiz no ginásio e no colegial e lembro do que me era exigido. Estudar o aquecimento global nestes ambientes não significa tomá-lo como hipótese e investigá-lo com aquela dose mínima de método. Naturalmente não se pode esperar refinamento científico de estudantes brasileiros de nível médio ou fundamental, mas eu ficaria mais tranqüilo se soubesse que eles não dizem amém para o que encontram na Rede Blobo, na Superignorante e na Rolha de São Paulo.

Dirijo estas palavras a essa molecada — supondo, é claro, que eles voltarão aos meus escritos um dia.

1) O aquecimento global não é um fato. É uma abstração bolada com o objetivo de facilitar a compreensão de certos fenômenos de características semelhantes que ocorrem em diversas partes do mundo. Já se demonstrou que a expressão “aquecimento global” traz em si uma impossibilidade matemática.

Ocorre que abstrações são meios, não fins. Elas obviamente levam a algum lugar (senão não teríamos razões para utilizá-las). Resta saber aonde as abstrações nos levam. Você pode simplificar uma realidade para poder escrever sobre ela ou para fazer cálculos — isto é abstração. Mas você não pode afirmar que os números e as palavras são a realidade.

Procure entender, portanto, o que significa a expressão “aquecimento global”.

2) Supondo que o aquecimento global seja um fato tal como a mídia sugere que ele é (o aquecimento homogêneo e progressivo do planeta), é uma estupidez maldosa afirmar que a causa deste fenômeno é totalmente conhecida e, mais ainda, que ela se resume na ação humana.

É natural que se pense assim. O homem causa desastres ecológicos, polui o ar e os mares, devasta florestas, causa e acelera o processo de extinção de diversas espécies. Por que não causaria o aquecimento global? Se conseguimos admitir que o conceito de aquecimento global é verdadeiro e incontestável, nada nos impede de admitir que conhecemos as causas desse fenômeno. E a causa é o homem. Só pode ser. Não você, sujeito engajado e estudioso, que aperta as torneiras, separa o lixo e pede para sua mamãe ou seu papai deixarem o carro em casa. Quem causa o aquecimento global é o homem médio dos países ricos e é a eles que toda nossa sanha deve ser lançada. Ela pode ter a forma de desenhos fofinhos com balõezinhos em forma de nuvem onde se lê “Vamos proteger a Mãe Natureza” ou pode ser um manifesto contra o capitalismo — China à parte.

Ocorre neste caso que o que realmente aquece a Terra é o Sol. Sol igual a calor igual a aquecimento. Se é o Sol que causa aquele outro aquecimento (o global, o fenômeno demonizado pela mídia), eu não sei. O que sei é que é válido considerar a hipótese. Já foi demonstrado que um fenômeno semelhante tem ocorrido em Marte, ainda que lá não haja pessoas e atividades que gerem gases-estufa.

Lembre-se disto. Sol, Terra, Marte, aquecimento global. Sacou?

3) Há um terceiro fator cuja observação considero fundamental. Não é necessário pesquisar profundamente, buscar autoridades científicas, ler teses e visitar laboratórios, embora isso tudo seja bom. Basta vasculhar a internet um pouco mais demoradamente buscando respostas para as seguintes perguntas: quem são as pessoas que mais defendem as teorias atuais sobre o aquecimento global? O que fazem essas pessoas? A quem essas teorias beneficiam?

Respondidas estas perguntas, pode-se descobrir que a teoria do aquecimento global possui uma dimensão que não é nada científica. Quem se aprofunda nesse aspecto das ciências é Alan Neil Ditchfield em seu trabalho Verdadeiro versus falso. Se lhe interessa compreender algo do emaranhado do aquecimento global, aproveite as férias de julho com esta leitura.

E mesmo que se conclua que determinada teoria científica não sofreu os danos das imprecisões humanas, faz parte da ciência avaliar isso constantemente. Neste caso eu me refiro à teoria do aquecimento global, não ao aquecimento global (a teoria que explica o fenômeno não é o mesmo que o fenômeno): o rigor científico que supostamente permitiu concluir que o aquecimento é pior que bater na própria mãe deve ser usado também para verificar a validade da teoria e os caminhos e métodos que permitiram desenvolvê-la. Sempre que possível, deve-se usar a ciência para avaliar a ciência — o que, logicamente, será apenas o começo.

*
Eu não espero, realmente, que você desafie sua professora ou seus amigos com o que expus aqui — seria uma dupla pretensão: de que você aceite tudo que eu disse e que essa aceitação se dê ao ponto de você reproduzir estas idéias para seus amigos e professores. Eu espero apenas que estudar o aquecimento global não lhe cause esfriamento mental. Eu espero apenas que você reflita a respeito daquilo que lê e do que vê. Eu espero que você — jovem estudante de quem foi exigido um trabalho escolar — compreenda que em relação ao aquecimento global há mais dúvidas do que certezas e que as certezas podem ser criadas artificialmente com objetivos diversos: fazer documentários, conquistar verbas, abalar a autonomia e a economia de alguns países. Ao lidar com teorias, é sempre bom perguntar de onde aquilo vem, para onde aquilo conduz e, em alguns casos, lavar as mãos em seguida.

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Filosofia moderna

Julho 20, 2007 · Deixe um comentário

- O que interessa na filosofia é sua capacidade de melhorar e ampliar a visão de quem se serve dela — isso nada tem a ver com redações escolares com o título “o que é filosofia?”.

- Um livro sobre filosofia não é um livro de filosofia. Ele pode ser genial — como aquele de Ortega y Gasset —, mas em geral não é.

- Você pode ler mil livros sobre filosofia, mas nenhum conceito dará conta de explicar a materialidade do papel, a urgência de pagar um boleto vencido e aquela dor persistente na coluna.

- Blogs são bons na medida em que falam de um mundo que não está na internet — também chamado de mundo real. Blogs são ruins na medida em que falam de blogs, da arte de blogar, das ferramentas mais do balacobaco e dos layouts mais originais para blogs

- Analogamente, há filósofos que se dedicam exclusivamente à história da filosofia, às biografias dos filósofos e às crises existenciais que incluem questionamentos sobre o papel do filósofo na sociedade.

- Sim, a fase dos diários on-line foi superada (sabe quem eu vi ontem?), o miguxês foi colocado em seu devido lugar (o limbo da gerassaum internet), mas o voluntarismo continua tendo péssimos representantes. A maioria deles discute as polêmicas surgidas em outros blogs, que serão reproduzidas por outros blogs, o que causará um trackback vicioso e sem fim. Não que isso não possa ser importante. Apenas não é importante sempre. Aliás, não é importante na maior parte do tempo.

- Fundamental, fundamental mesmo, é acertar na ortografia, saber pensar e ter algo a dizer. Você não pode escrever Merchior (José Guilherme Merquior), Getulho (Getúlio Vargas) e Belo Horisonte. Ou pelo menos não pode escrever e querer ser levado a sério.

- Filosofia perene e blog de qualidade: coisas comuns, verdadeiras e necessárias para a vida, como filmes, livros e músicas, o almoço de domingo, paisagens, inteligência, honra e seriedade.

- Disseram que a internet revolucionaria o mundo. Não revolucionou. Ainda há guerras, comunistas, drogas, espécies em extinção, novelas da Globo, dietas.

- Na internet, o máximo da revolução será publicar um texto original com menos de vinte e sete links e escrito em português correto, permitindo entrever que o autor e a cadeira à frente do PC não são simbiontes. Ou isso ou um mouse com soro.

- A TAM criou sua versão no Second Life, um mundo virtual em que as pessoas podem voar.

- Das pessoas que participaram daquela enquete e elegeram o Cristo Redentor uma das 7 novas maravilhas do mundo, quantas já estiveram lá? A enquete tem mais impacto pelo que ela representa na era da internet do que pelas maravilhas eleitas através dela.

- A filosofia já derrubou governos. A internet apenas os confirma.

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Tadinho ele ficou triste…

Julho 20, 2007 · Deixe um comentário

“Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá.” — o Rei de Pindorama, sobre ter sido vaiado na abertura dos Jogos Pan-Americanos.

Menas.

A metáfora, evidentemente, está incompleta. Ele esqueceu de mencionar o que o “grupo de pessoas” tem suportado nestes últimos anos. E, definitivamente, o Brasil não é uma festa.

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E a matança aérea continua a toda…

Julho 20, 2007 · Deixe um comentário

Sobre o acidente aéreo que matou mais de 180 pessoas ontem em São Paulo:

“Lula se diz ‘consternado’ e não quer tirar conclusões”

Podemos tirar algumas conclusões, sim:

- Com o acidente de ontem, o apagão aéreo já soma aproximadamente 350 mortes (descontadas as pessoas que morreram nas rodovias brasileiras porque desistiram de voar).

- Se, mesmo assim, o Rei de Pindorama diz que não quer tirar conclusões, podemos ter a certeza de que estepaiz só tem governo para colher impostos.

- No caso específico de Congonhas, não foi por falta de aviso.

- A pista de Congonhas estava em reformas, mas foi liberada antes da conclusão das obras, o que, com ou sem acidentes, já é um fato preocupante.

- Saboya lembra-nos de um detalhe importante: “Mais um acidente de avião e a ineficiência do governo já terá matado mais que a ditadura”, o que é no mínimo irônico num governo que se diz… tão eficiente e tão democrático.

E agora, Mme. Suplicy?

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Isso que é beijo

Julho 5, 2007 · Deixe um comentário

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Arctic Monkeys confirma datas no Brasil

Junho 19, 2007 · Deixe um comentário

Shows acontecerão nos dias 26 (Rio), 28 (SP) e 31 (Curitiba).
Notícia no site da banda diz que apresentações ocorrem no Tim Festival.
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O ALQUIMISTA

Junho 14, 2007 · 2 Comentários

O ALQUIMISTA
As “pérolas” de Paulo Coelho

 
“Tratado a tapas e pontapés, nosso idioma ainda é mistério para muitos — mesmo para os que vivem dele!” (Josué Machado)

A presente crítica mostra as duas faces de Paulo Coelho: escritor de imaginação fértil, mas que se revela medíocre no manejo da linguagem escorreita. Manter a leitura →

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WiTricity – vem aí a era da transmissão de eletricidade sem fios

Junho 11, 2007 · Deixe um comentário

Postado Originalmente por Inovação Tecnologica

 

O que poderia ser mais prático e cômodo do que os hoje indispensáveis telefones celulares, iPods e computadores de mão? Talvez telefones celulares, iPods e computadores de mão sem baterias, que pudessem receber a energia de que necessitam para funcionar da mesma forma que recebem dados e voz: sem fios. Manter a leitura →

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Incrivel Acidente com o Kubbica da BMW

Junho 10, 2007 · 1 Comentário

Que saber porque Kubbica quebrou apenas a perna naquele acidente incrivel no GP de Formula-1 do Canadá?

veja aqui:

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